Voltar ao Web Summit pela segunda vez muda mais a cabeça do que qualquer tecnologia de IA!

Cheguei em Lisboa lembrando de como tinha sido no ano passado. Naquela época eu vinha de Bussum, na Alemanha, depois de uma jornada improvável de bicicleta, trem e um dia inteiro de viagem. Estava cansado, mas com a cabeça acesa. Era tudo novidade, tudo intensidade, tudo descoberta.

Este ano foi diferente.
Cheguei focado, consciente e com um propósito claro. Vim para aprofundar minha visão sobre inovação, inteligência artificial e sobretudo mentalidade digital. Vim para amadurecer minha percepção sobre o impacto real da tecnologia no comportamento humano.

Ainda no aeroporto, antes mesmo de colocar a mochila no chão, fui pegar a credencial do Web Summit. Mal terminei de retirar o crachá e já fui chamado por uma repórter de uma TV local. O cinegrafista apontou a câmera e a primeira pergunta veio sem aviso. De repente eu estava ali, ainda sentindo o cheiro da aeronave, falando sobre inteligência artificial, sociedade e futuro.


Nem tinha respirado.
E já estava dentro da pauta que iria atravessar todo o evento.

Saí daquela entrevista percebendo que este segundo ano seria diferente.
Mais profundo.
Mais consciente.
Mais humano.

Pouco depois encontrei meu amigo Cássio Leandro, fundador do Faceponto. Ele já está na quarta edição do Web Summit, sempre entre as startups brasileiras mais selecionadas. Foi ele que me influenciou a vir no ano passado e foi ele que me puxou de novo este ano. É o tipo de parceria que te expande, que te provoca a ir além do óbvio. Sou grato por isso. Pessoas assim aceleram nossa maturidade.

Com esses dois acontecimentos logo na chegada, entrei no evento com outra energia, outra percepção e outro olhar.

Na Foto: Cristina Mieko – Head de Startups do Sebrae Nacional, Cássio Leandro – Fundador Faceponto.


O tema que atravessou o Web Summit não estava nas telas. Estava nas pessoas

Enquanto milhares buscavam as últimas novidades em IA, automação e negócios, um assunto aparecia como um fio silencioso que conectava conversas, palestras e corredores.
Saúde mental digital.
Atenção humana.
Jovens consumidos por estímulos infinitos.

E aí tudo fez sentido.
A Dinamarca tinha anunciado em 7 de novembro, alguns dias antes do evento, uma das maiores regulações digitais da Europa, proibindo menores de 15 anos de estarem nas redes sociais. A justificativa não foi moral. Foi de saúde pública.

Entrei no Web Summit já com esse fato no peito.
E cada palestra reforçava a dimensão desse movimento.

O evento estava inquieto.
A Europa estava inquieta.
O mundo estava começando a entender que o problema não é a tela.
É o ritmo que ninguém consegue sustentar.

O Government Summit expôs o problema de forma direta

Nada ali era decorativo.
Nada ali era superficial.

Especialistas mostraram dados sobre colapso de atenção.
Pesquisadores falaram sobre ansiedade em escala absurda.
Governos discutiram regulações para proteger quem ainda não tem estrutura emocional para enfrentar plataformas desenhadas para vencer todas as disputas de estímulo.

Foi nesse palco que entendi a virada.
A pauta não era tecnologia.
Era humanidade.

Uma criança não deveria competir com sistemas que operam vinte e quatro horas por dia, refinando cada notificação para capturar o cérebro mais vulnerável da casa. E isso não é drama. É design. É engenharia de comportamento.

A Dinamarca puxou o freio.
O Web Summit mostrou por que isso era inevitável.

IA transforma negócios. A maturidade digital transforma pessoas

Voltar pela segunda vez me deu clareza sobre meu próprio trabalho. Eu ensino IA aplicada e acredito no poder transformador da tecnologia. Mas esta edição reforçou algo essencial.

Não basta ensinar IA.
É preciso ensinar maturidade digital.

A tecnologia acelera.
O humano precisa de ritmo.
O digital exige atenção.
A consciência exige limite.

Inovar sem maturidade é criar velocidade para bater no muro.
Inovar com consciência é criar futuro.

Esse foi meu maior aprendizado em Lisboa.

O Brasil ainda trata como opinião o que já virou saúde pública no resto do mundo

Aqui ainda discutimos tempo de tela como se fosse uma decisão individual.
Mas não é.
É sistêmico.
É massivo.
É assimétrico.

Nenhum esforço pessoal vence um feed infinito.
Nenhum pai vence uma plataforma projetada para capturar microdoses de dopamina.
Nenhuma escola vence sozinha um ambiente que opera sem pausa.

A Europa entendeu.
A Dinamarca agiu.
O debate no Web Summit mostrou que isso não é exagero. É necessidade.

E nós precisamos trazer essa conversa para o centro da mesa no Brasil.

Não só para proteger jovens.
Mas para preparar adultos.
Para ensinar profissionais.
Para equilibrar inovação com humanidade.

Voltei do Web Summit mais humano e mais responsável

Esta segunda experiência não apenas me amadureceu.
Ela me reposicionou.

Me fez lembrar por que trabalho com IA.
Me fez entender por que ensino IA.
Me fez reforçar que tecnologia sem alma vira ruído.
E que inovação sem consciência vira cegueira.

No fim, voltei com uma pergunta que não me larga.
Estamos formando seres humanos ou apenas formando usuários?

Se essa pergunta incomoda, é porque ela abriu um caminho. E caminhos importantes sempre começam com inquietação.

Alberto Kastro
Fundador da Escola de Leads e coordenador de IA do CIIA, Sistema FIERN.
Ajudo empresas e pessoas a cocriar soluções de IA que equilibram produtividade com propósito, tecnologia com consciência e inovação com humanidade.

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